BOLSONARO É INCAPAZ DE LIDERAR O BRASIL

O ministro da Economia Paulo Guedes anunciou que poderá desistir da reforma tributária em tramitação na Câmara dos Deputados. A proposta do governo recebeu críticas da quase unanimidade dos especialistas por simplesmente aumentar a carga tributária e onerar a classe media, além de diminuir a arrecadação de estados e municípios.

Paulo Guedes, ministro da Economia de Bolsonaro

É consenso nacional a necessidade de uma reforma que simplifique o regime tributário brasileiro, diminua o litígio tributário, desonere a produção e estabeleça um sistema de progressividade, cobrando mais de quem ganha mais.

Mais uma vez, o presidente Jair Bolsonaro se mostra incapaz de liderar a sociedade brasileira e as forças políticas do país em torno de um projeto de retomada do crescimento econômico. Ele sempre foi tão somente líder de uma pequena facção radical que nunca representou a maioria dos cidadãos. Sua ação extremista tem causado grave prejuízos em todas as esferas da vida nacional.

Ele tem promovido ações de captura para o seu projeto autoritário de instituições do Estado, como o Ministério Público Federal, o Poder Judiciário, as Forças Armadas e a Polícia Federal, com a conivência de setores do Legislativo.

Bolsonaro nunca foi líder dos muitos partidos pelas quais passou. Nunca chegou à cúpula desses partidos, nem sequer chegou a liderar a bancada de um partido em sua longa carreira de deputado federal. O atual chefe do Executivo não lidera nem sequer o seu próprio governo, um monstro Frankenstein que caminha desconjuntado e sem direção.

Qual foi a capacidade de Jair Bolsonaro de liderar o Brasil no enfrentamento da pandemia do coronavírus? Ele não liderou o Ministério da Saúde, pois suas ideias negacionistas são francamente minoritárias no mundo, no Brasil, entre os profissionais de saúde e entre as forças políticas.

Mandetta, Teich e Pazuello foram Ministros da Saúde de Bolsonaro

Sofrendo resistências as mais amplas dentro do Ministério da Saúde, a partir do corpo técnico e de ministros de responsabilidade como Luiz Henrique Mandetta e depois Nelson Teich, Bolsonaro agiu de forma insidiosa através do prepostos colocados na pasta, com o apoio do chamado gabinete paralelo, para promover uma política cuja consequência dramática foi o descontrole da pandemia. O ministro Eduardo Pazuello, que tentou conciliar as recomendações de autoridades sanitárias com o negacionismo do seu chefe, terminou por se render à máxima “um manda, outro obedece”.

Os militares que realmente importam, aqueles que comandam tropas, não se subordinaram à orientação deletéria do presidente. Nos quartéis, os comandantes executaram uma política de enfrentamento da pandemia como mandam as autoridades sanitárias, com uso de máscara, distanciamento social, entre outras medidas. Foi emblemática a foto do então comandante do Exército, o general Edson Pujol, negando-se a dar a mão a Bolsonaro e cumprimentando-o com o cotovelo, como faziam autoridades responsáveis em todo mundo.

O chefe do Executivo usa a sua condição de comandante em chefe das forças armadas para constrangê-las e subordiná-las ao seu sectarismo político. Não cabe aos comandos militares se insurgiram publicamente contra o presidente da República. Quem precisa agir contra a instrumentalização e o amesquinhamento do papel das Forças Armas são o Congresso, o Ministério Público e o Supremo Tribunal Federal.

Bolsonaro não lidera nenhum setor social relevante. Grande parte do agronegócio é contra a atual política internacional ideológica e isolacionista, bem como o tratamento que o presidente dá à questão ambiental, prejudicando as exportações e negócios brasileiros na China, Europa e Estados Unidos, nossos principais parceiros comerciais.

Bolsonaro e Guedes, a dupla que comandou o fracasso econômico do país

Bolsonaro não lidera os empresários mais representativos da indústria, do comércio e das finanças, que já em duas ocasiões assinaram manifestos contrários ao presidente. Bolsonaro não tem capacidade de liderar os partidos, o mundo político, o Congresso, Senado e Câmara, nem governadores e prefeitos. Na área econômica, sua incapacidade de liderança tem efeitos os mais perversos. Ele não lidera a equipe econômica que começou a se desfazer já no primeiro ano de governo.

Com um gabinete paralelo também nessa área, a economia é uma nau sem rumo, adernando em velhas políticas populistas, jogando por terra todo os esforços para sanear o crônico déficit fiscal do país, trazendo de volta velhos problemas econômicos como uma persistente inflação e uma elevada taxa de juros. Analistas já preveem um novo “pibinho” para 2022.

Bolsonaro abriu mão de liderar o Mercosul, fato que enfraquece a força regional do Brasil na dura competição da economia global. A ação de Bolsonaro não é a de um líder capaz de formar consensos, juntar maiorias em prol de um projeto comum. Sua ação no Mercosul é a de todas as esferas de seu governo. Bolsonaro é a um desagregador, líder de facção minoritária. O presidente vê derreter sua popularidade e aumentar seu isolamento político. Não será surpresa se perder a próxima eleição já no primeiro turno. Segundo Mauro Paulino, diretor do Datafolha, o núcleo duro de eleitores de Jair Bolsonaro está restrito a 15%, número que pode ser insuficiente para chegar ao segundo turno. Quem viver, verá.

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